VOCABULÁRIO NÁUTICO
ANEXO II - Vocabulário

Abafar: o pano; baixar e enrolar a vela.

Abalroar: colidir com outro barco; existe regulamento para evitar abalroamento e suas regras devem ser bem memorizadas (RIPEAM, que está sendo atualizado). São as regras de trânsito no mar, de precedência, de direito ao caminho. São fundamentais para a condução de um barco, de qualquer porte e classe. Para verificar se o barco está em rumo de colisão com outro: marque dois pontos do barco alinhados com o outro barco; se o alinhamento persistir, estaremos em rumo de colisão. À noite, principalmente, isto é de grande valia.

Abatimento: decaída devido ao efeito do vento ou da corrente. Olhando-se a esteira do barco, podemos ver o abatimento, comparando com o rumo (proa).

Abicar: chegar de proa numa praia, quase encalhando.

Abita: amarrador parrudo na proa ou na popa, para os cabos e amarras.

Aboçar: ligar um cabo a outro ou à amarra; prender por meio de boças.

Achicar : esgotar a água do barco com uma vasilha, balde, cuia.

Acostar: aproximar o barco da costa; o contrário de amarar.

Adernar: inclinar o barco.

Adaina: conjunto das velas do barco; velame; guarda-roupa.

Adormecer: permanecer o barco adernado, como se não conseguisse endireitar

Adriça ou driça: cabo para içar vela ou bandeira. Elas são de grande importância, pois regulam o formato das velas; por exemplo, a testa da vela é regulada (posição do cavado) por ação na adriça da testa. Portanto, devem ser pré-estiradas, para que possamos marcar os pontos de regulagem, isto é, elas não devem deformar.


Adriçar: suspender por meio de adriça
Aduchar: colher um cabo em voltas circulares sobrepostas.

Aerodinâmica: ramo da Física que estuda o ar (e outros fluidos) em movimento. O ar em movimento (o vento) é o propulsor do veleiro; o conhecimento das forças geradas e que agem no barco, portanto, é de fundamental importância para o bom velejador. A velejada se compõe de duas partes: a aerodinâmica e a de estol.

Afocinhado: barco mergulhado de proa devido à má distribuição da carga ou defeito de construção.

Agitado: mar com ondas de 2,5 a 4 metros, correspondendo a ventos de força 6 e 7.

Águas Amassadas: águas turvadas pelo barco roçando no fundo arenoso ou lodoso.

Águas Mortas: sem correnteza, em determinadas marés.

Águas Vivas: forte correnteza nas enchentes ou vazantes, nas marés de lua nova ou cheia.

Aguçar: chegar com a proa mais para a linha do vento; apertar a orça.

Agulha Magnética: bússola, agulha; bússola de governo, de fundamental importância no barco, deve ser aferida (compensada), operação que pode ser facilmente feita pelo comandante do barco, utilizando pontos bem definidos em terra, pela proa, pela popa e pelos bordos, também podendo ser feita por processo astronômico ou por intermédio do ??. O norte magnético difere do norte da agulha pelo erro da agulha do barco.
A regulagem é feita compensando para os pontos cardeais, pelos pequenos magnetos da bússola.

Aileron: asa do leme de vento, que comanda a direção do barco.

Airex: poliuretano de núcleo fechado, especial para a construção de cascos de fibra de vidro em sanduíche.

Alagar: desaparecer no horizonte.

Alar: um cabo, caçar, retesar, sirgar.

Alheta: ou aleta, parte curva do costado do barco, próximo à popa. Exemplo: navio visto pela alheta de boreste.

Alidade: bússola portátil com prisma para obter marcações de pontos (marcas) da costa, para cálculo de distância, podendo ser empregada de qualquer lugar do barco.


Alísios: ventos reinantes na zona tropical. No HS: sopram de sudeste para noroeste. No HN, de NE para SW.

Alma: núcleo de um cabo.

Almeida: parte curva do costado do barco, na popa; parte superior das bochechas.

Altura: barco de altura; barco de alto-mar. Reta de altura: lugar geométrico dos pontos da superfície da Terra com a mesma altura para um determinado astro (é uma circunferência, da qual consideramos uma reta nas dimensões da carta).

Amainar: diminuir de intensidade, abrandar

Amantilho: cabo para manter na horizontal um pau ou a retranca; o contra-amantilho age em oposição, caçando para baixo.

Amarra: cabo amarrado à âncora.
Amarração: conjunto de cabos e amarras usados para fundear ou atracar.

Amarrar: unir por meio de cabos.

Amplitude de Maré: diferença de alturas da preamar e da baixamar.

Amura: direção qualquer entre a proa e o través. Cabo preso ao punho da vela. Amuras à bombordo: quando o vento está entrando por bombordo (portanto, a retranca estará para boreste).

Anatifa: tipo de craca que se incrusta no casco, mesmo em deslocamento pelo mar.

Âncora: ou ferro, para agüentar o barco parado nos ancoradouros. Todo barco de oceano deve ter a bordo no mínimo três âncoras de tipos e pesos diferentes, com pelo menos 5m de corrente cada, amarras, arinque e sentinelas apropriadas. Ser jogado à praia pelo vento não é experiência muito agradável. Ver Sentinela. Ver Arinque.

Andar: navegar, velejar.

Anemômetro: instrumento para medir a velocidade do vento.

Anemoscópio: instrumento para medir a direção do vento.

Ângulo Morto: ângulo entre o vento verdadeiro e a menor direção de proa a que o barco pode chegar contra ele.

Anilha: proteção de metal ou plástico nas extremidades das amarras, em forma de anel.

Ardente: barco que tem forte tendência própria de orçar sem ação no leme.

Arfagem: mergulho e levantamento da proa, balanço longitudinal.

Arganéu: argola móvel de metal para amarração.

Arinque: cabo que liga uma bóia à âncora, para indicar sua posição. A bóia será de arinque.

Armação: maneira como são distribuídas as velas do barco. A armação em cúter permite ter duas bujas içadas simultaneamente (o mastro é colocado mais para trás do que no eslupe).

Arqueação: ato de medir o volume dos espaços do barco; tonelagem.

Arquimedes: o peso do barco é igual ao peso do volume de água deslocado (corolário).

Arribar: afastar a proa da linha do vento.

Árvore Seca: abaixar todas as velas e deixar o barco se defender, no mau tempo.

Asa: içar duas velas de estai, uma para cada bordo, ficando a de barlavento espichada, ou espichar as duas, no caso de popa rasa; formato de asa significa forma aerodinâmica.

Asa de Pombo: içar a buja para um bordo e a grande para o outro.

Aterrar: entrar num abrigo, num porto, vindo do mar; aproximar de terra.

Atracar: encostar o barco no cais, usando defensas; à contrabordo: em outro barco.

Autonomia: tempo que o barco pode permanecer no mar sem se reabastecer; o mesmo que raio de ação.

Bacalhau: sarrafo colocado por dentro do casco para limitar o remendo ou calafeto, não deixando extravasar.

Balanço: movimento pendular do barco, longitudinal ou transversalmente, causado pelas ondas do mar. Longitudinalmente, geralmente se denomina caturrando ou arfando; transversalmente, jogando.

Balão: vela de proa parecida com um paraquedas. Geralmente feito de náilon, colorido, é a maior e mais bonita vela da adaina. Ver Spinnaker.

Banana: vela armada entre a buja e a bujarrona (embananada).

Banco: região de pouca água, encoberta.

Bandeiras de Sinalização: de acordo com código internacional, são previstas 40 ao todo, sendo usadas cinco cores: branco, azul, vermelho, amarelo e preto. Os formatos são: galhardete farpado, retangular, trapezoidal e triângulos equiláteros. A bandeira amarela, por exemplo, é de interesse particular, correspondente à letra Q, é a de quarentena, de solicitação da Aduana e Emigração (antes da qual não se tem autorização de desembarcar; após duas horas de espera, apenas o comandante poderá desembarcar, levando os documentos do barco e de todos os tripulantes) quando o barco estiver fundeado; se estiver em movimento, indicará alteração de percurso.

Ao entrar num porto estrangeiro, o barco deve estar com três bandeiras hasteadas: na popa, a bandeira do país de origem do barco, no lais de boreste, a bandeira do país visitado e a bandeira amarela.

Barcaça: embarcação muito usada antigamente no nordeste brasileiro. No livro A Saga do Barcaceiro, o escritor alagoano Maya Pedrosa, narra o último período de operação das barcaças no nosso litoral, fato semelhante aos últimos dias dos grandes veleiros no começo do século, com seus capitães sendo “massacrados” pelos vapores, dentre eles Joshua Slocum.

Barlavento: lado de onde vem o vento. Na orça, o mais importante é ganhar barlavento. A vantagem de um barco sobre outro, geralmente em regata, é ditada por três parâmetros: barlavento, distância e correnteza. A determinação da vantagem, facilitada por processo gráfico, é muito empregada pelas Comissões de Regata para acompanhar os momentos finais das regatas de longo percurso.

Barômetro: instrumento para medir a pressão atmosférica, que é um dos parâmetros para a previsão do tempo. No barco, normalmente é empregado o do tipo aneróide. Apenas pelas indicações do barômetro não será possível fazer uma previsão do tempo. Ver na parte de meteorologia incluída nos Tópicos Importantes.

Batateiro: local, geralmente na popa, onde são guardados os materiais sem serventia imediata.

Beaufort: escala da velocidade do vento, classificando-o em diferentes forças, desde a Força 0, calmaria, até a Força 12, furacão (hurricane). Um vento de 17 nós é Força 5 (strong breese); um vento de 28 nós, Força 7 (near gale); uma velocidade de vento de 41 nós, corresponde a Força 9 e é denominado vento duro (strong gale); Com 48 nós de vento, teremos Força 10, denominado tempestade (storm). Ver tempestade.

Bernouili (princípio): ou Bernoulli; resumo: onde estiver a maior velocidade do vento, estará a menor pressão. Ele explica o efeito chaminé, os formatos das velas, os ajustes e interações entre as velas, etc.

Betas: nome genérico dado a todos os cabos de manobra do barco, inclusive os teques.

Bicha: cabinho embainhado nas valumas e esteiras da vela para regular um maior cavado.

Bigode: marola feita na proa do barco, proporcional à sua velocidade.

Bigota: peça circular com furos por onde passam cabos, para tensão.

Biruta: indicador de direção do vento; pedaço de fita cassete amarrado nos brandais (ou fios de lã); grimpa; lanyard, teltale.

Bitácula: caixa da bússola de governo, sobre o pedestal da roda de leme.

Blister: ver Gennaker.

Blooper: vela usada em regatas, para preencher o espaço deixado pelo balão, em face da regra só permitir empregar um balão içado. Para o cruzeirista, não sujeito a esta regra, que pode içar dois balões, o blooper não existe.

Boca: largura máxima do casco do barco, ou da seção transversal a que se referir.

Boça: é todo cabo que se destina a prender outro cabo, uma verga, ou amarra.

Bochecha: parte curva do costado em ambos os bordos próximo à proa. Exemplo: vento entrando pela bochecha de bombordo...

Bóia: flutuador para balizamento, para amarração e para salvamento.

Boiar: aparecer na linha do horizonte.

Bolina: quilha, patilhão, para fornecer maior resistência lateral e posicionar o centro geral de resistência (centro de resistência lateral), que vai trabalhar junto com o centro vélico (centro geométrico da área vélica). O equilíbrio do barco depende destes dois centros.

Bomba de Porão: bomba manual ou elétrica para esgotar o porão das águas de goteiras, borrifos durante a navegada, vazamento da gaxeta do eixo, etc.

Bombordo: BB : lado esquerdo do barco quando olhamos de frente para a proa, de costas para a popa.

Bonança: tempo bom, calmo, após uma tempestade.

Bordos: bordejos; quando estamos velejando ao longo do litoral, vamos dando bordos de mar ou bordos de praia ou costa.

Bordejar: velejar em zigue-zague, aproveitando o vento. Na orça, só podemos velejar bordejando. Na empopada, podemos bordejar para tornar a velejada mais cômoda, para livrar a popa rasa.

Boreste: BE; lado oposto ao bombordo.

Borrasca: vento muito forte (Força 8).

Brandais: cabos de aço inox que agüentam o mastro lateralmente, transversalmente.

Brisa: vento brando, Força 2. Brisa marítima, do mar para terra, à noite. Brisa terrestre, de terra para o mar, durante o dia.

Broadseam: costura para obter o cavado da vela, correndo-se o tecido dos painéis.

Buja: vela de estai de proa; também denominada giba, a mais à frente.

Burro: cabo ou aparelho para manter a retranca, ou pau, na horizontal, não deixando levantar.

Bússola: ver Agulha Magnética

Buys-Balot (lei): (No HS): De frente para o vento, o centro de BP está aos 112 graus para a esquerda.

Buzina: passador de cabo no convés dos barcos.

Cabos: ou cordas; mas no barco não se chamam cabos de cordas. Os cabos têm chicotes (extremidades) e o seio (meio do cabo, ou corpo).

Caçar: puxar, tesar.

Cadernal: peça com moitões de várias roldanas, sendo um deles fixo; multiplicam a força aplicada.

Caimento: desvio lateral do rumo desejado.

Caíque: barco de apoio, pequeno; bote.

Calado: distância vertical da parte inferior da quilha à linha-dágua.

Cambar: manobra mudando de bordo, de amura.

Campo Magnético: da Terra; nosso planeta está envolto por um campo magnético, denominado campo geomagnético, que é gerado pelas correntes elétricas no núcleo exterior semi-derretido e também influenciado pelas manchas solares e tempestades magnéticas. (Ver Agulha Magnética).

Capear: maneira de velejar contra o vento, enfrentando mau tempo, com velas próprias, pequenas. Também podemos capear para aguardar o dia clarear para investir uma barra desconhecida.

Carangueja: pau de vela com forquilha, que se encaixa no mastro, sendo suspendida até quase o tope.

Carneiros ou carneirada: conjunto de ondas de crista espumosa, comuns em ventos a partir de 10 nós. Os carneirinhos começam geralmente aos 6 nós de vento.

Catraca: molinete com manicaca; sistema para caçar (retesar) as escotas ou adriças

Cavado: parte em forma de colher, que fornece o formato aerodinâmico da vela.

Cavilha: tipo de prego de madeira ou de metal, para fixação ou para obstruir orifício.
Cavirão: pino da manilha.

Chaminé: efeito; canal de vento formado entre duas velas onde o ar escapa com maior velocidade, formando uma maior força de sucção, na vela, aumentando a força propulsora na região aerodinâmica da velejada (orça e través). É uma das vantagens do cúter sobre o eslupe o fato dele (cúter) ter dois canais de vento.

Chicote: extremidades de um cabo; entre os chicotes, o cabo se denomina seio.

Chumbo: lastro do barco.

Cinto de Segurança: peça de grande importância em todo barco de oceano, para andar no convés.

Coca: dobra falsa, torção indesejável de um cabo, atrapalhando o manuseio, principalmente se o cabo é para passar num moitão ou mordedor. Retirar a coca se denomina desbolinar o cabo.

Cochar-se ao Vento: cingir-se ao vento, apertar a orça, forçar a orça.


Cockpit: ou banheira, onde fica o timão externo.

Convés: parte externa superior do barco.

Cordas: cordas e flechas das velas, servem de guia para obtenção do ajuste do formato ótimo.

Coriolis (força): força desviadora aparente, devido ao movimento de rotação da Terra, resultante das forças centrífuga e de gravidade. Varia em função da latitude. Rege a circulação dos ventos girantes nos dois hemisférios.

Correr com o Tempo: tática para enfrentar mau tempo, indo com o vento; recolher as velas e deixar o barco se defender à deriva (em árvore seca). Só é empregado quando há lazeira à sotavento. Se não há lazeira, deve-se capear.

Craca: ou caraca; crustáceo que prolifera no casco do barco; é um dos maiores problemas, obrigando a pintar periodicamente com tinta anti-incrustante.
Croque: vara com gancho para pegar a bóia ou auxiliar nas atracações.

Cruzeiro: percurso esportivo de barco, fora de regata.

Cruzeta: peças do mastro, para distribuir os esforços.

Cunho: amarrador.

Cunningham: ilhós existente na vela para tesar a testa. Em barcos de cruzeiro, o trilho do garlindéu faz o mesmo, com vantagem. Em regatas também já estão permitindo.

Dacron: fibra sintética para fabricação de velas; chamada de tetoron no Japão, de terilene na Inglaterra e de terital na Itália.

Declinação: ângulo de um astro; corresponde à latitude.

Declinação Magnética: angulo entre o norte geográfico (ou da carta) e o norte magnético. No Brasil ela é W (subtrair ao passar da agulha à carta). Ver bússola; ver campo geomagnético.

Defensa: proteção para o costado nas atracações.

Derivar: derrapar, deslizar para o lado.

Deslocamento: peso da água deslocada pelo barco.

Destalingar: desfazer as ligações que unem os quartéis da amarra.

Disciplina: manter tudo em seus respectivos lugares; operações efetuadas sempre da mesma maneira; conduta pessoal irrepreensível (camaradagem, cooperação, etc.).

Display: tela do monitor do equipamento eletrônico; mostrador.

Douglas: escala do estado do mar, como a Beaufort é para o vento; a Força 5 da escala Douglas corresponde ao mar agitado, forças 6 a 7 na Beaufort.

Draft: cavado; parte em forma de concha das velas.

Drogue: âncora de mar; saco de lona grossa que, rebocado pela popa, diminui a velocidade do barco.

Efeito Chaminé: ver Chaminé.

Encalhar: colocar o barco com a quilha encostada no fundo.

Enora: abertura no convés ou teto da cabine, por onde passa o mastro.

Enrascar: a âncora, quando ela se enrola com a amarra, impedindo de unhar no fundo

Entocar: a âncora, quando ela prende nas pedras do fundo; o arinque permite levantá-la, puxando-a no sentido contrário às unhas

Entralhar: introduzir a tralha da vela no sulco do mastro ou da retranca.

Equação do Tempo: diferença entre a hora verdadeira e a hora média; pode ser positiva ou negativa.

Escada do mastro

Escaler: pequeno barco à remo.

Escota: cabo de laborar vela, ajustando a sua posição em relação à linha proa-popa.

Espia: amarração ao cais ou à bóia; lançante, espringue, través.

Espicha: pau que mantém a vela para fora dos bordos, geralmente à barlavento.

Estais: cabos de aço inox que agüentam o mastro para vante e para a ré.

Esteira da Vela: parte inferior.

Esteira do Barco: turbulência à popa deixada pelo movimento do barco.

Estratégia: melhor aproveitamento das condições gerais (meteorologia, comunicações, rotas, correntes, etc.), em uma grande área.

Estropo: prolongamento de cabo.

Falcaça: acabamento nas extremidades do cabo para evitar desfiar.

Ferro: âncora.

Fibra de Vidro: fiberglass ; plástico reforçado com base na combinação de fibras de vidro em forma de mantas ou tecidos, com resina (poliester ou epóxica).

Filame: comprimento de cabo entre o barco e a âncora quando lançada e enterrada.

Formato: qualidade de qualquer peça aerodinâmica; o formato da vela varia com a intensidade do vento e nas duas regiões da velejada: aerodinâmica e estol.

Forqueta: forquilha para adaptar os remos do caíque.

Magnetômetro: instrumento destinado a medir a intensidade do campo magnético (declinação e inclinação magnéticas).

Forra: reforço da vela nas partes de maior esforço. Forra de rizes, por exemplo.

Gaiúta: escotilha de convés com tampa; clarabóia.

Garlindéu: ou garlindréu; peça que liga a retranca ao mastro; mangual.

Garrunchos: ganchos de metal com mola, colocados na tralha das velas de proa, para prendê-las aos estais.

Gennaker: vela de proa para ventos folgados, parecendo um balão, mas com um punho preso à proa. Blister.

Genoa: vela de estai de proa maior que a buja. A maior vela do barco é a genoa #1, depois do balão.

Gorne: entalhe na circunferência das roldanas dos moitões, onde o cabo se acama.

Gornir: passar o cabo no gorne do moitão.

Gradiente: diferença de valores ao longo de um campo.

Gradiente de Vento: diferença dos valores de velocidade do vento entre dois pontos. Gradiente de pressão; gradiente de temperatura.

Gradiente de Vento na Vela: diferença das velocidades do vento na esteira e no tope da vela.

Grande: vela principal, entralhada no mastro e na retranca.

Green-Flash: clarão verde que acontece entre os trópicos, devido à refração.

Grimpa: biruta, lanyard.

Groove: sulco, canal. Orçar na melhor proa, dentro do groove. São três modos: modo ferrado ou cochado (que fornece menor distância velejada, mas com menor velocidade), modo folgado ou veloz (que fornece maior velocidade, mas teremos que velejar maior distância) e modo Vmg (que é o que nos levará à chegada na frente dos demais).

Guinada: desvio da proa do rumo escolhido.

Guinda: altura do mastro acima da linha dágua.

Gurupés: pau horizontal na proa dos barcos, para permitir maior área vélica.

Gurutil: testa de uma vela triangular.

Gybe ou Gibe: jaibe; cambar, virar de bordo. Em geral, virar por davante, passando com a proa pelo vento, é dito cambar; cambar em roda, passando a popa pelo vento, é dito jaibe.

Illingworth: ângulo; na orça, é mais aconselhável bordejar no angulo do leito do vento, para evitar surpresas de rondadas. Quando este angulo é de vinte graus, é denominado de Illingworth, quem primeiro demonstrou que este valor é o melhor.

Intracoastal Waterway: canal abrigado construído nos EUA, aproveitando braços de rios, lagoas, canais e baías, permitindo navegar por águas abrigadas desde a fronteira do Canadá à fronteira do México, abrangendo toda a costa Leste e a do Golfo do México. Existem publicados inúmeros guias pormenorizados, indispensáveis para quem pretende navegá-la.

Isogônicas: ver linhas isogônicas.

Jogo: o mesmo que balanço.

Ketch: veleiro com dois mastros, sendo o de ré menor do que o de vante e posicionado à frente do eixo do leme.

Lanyards: grimpa, biruta.

Lap: volta; propriedade de um cronômetro de voltar ao tempo corrido, após uma tomada.

Laptop: computador portátil.

Largo: ao largo; longe da costa.

Lazeira: espaço; um veleiro que pede lazeira está pedindo direito a caminho. Um barco que tem lazeira à sotavento, pode correr com o tempo.

Leme-de-Vento: aparelho que assegura a velejada sem necessidade de atenção ao leme. Os mais usados são o Aries, inglês; o Atoms, o Navic e o Goiot, franceses e o Alado, brasileiro.

Lingada: guinchar o barco sobre carreta na rampa; suspender o barco pelo pau de carga, ou guindaste, encalhando-o (pondo-o à seco para serviços).

Linha-Dágua: linha que separa as obras vivas das obras mortas de um barco.

Linhas Isogônicas: ou simplesmente isogônicas, são o lugar geométrico dos pontos sobre a superfície terrestre que têm a mesma declinação magnética.

Linha de vida: cabo de aço ou de nylon robusto, atado na abita de proa e indo ao cunho de popa, de modo a ligar o cinto de segurança para permitir o deslocamento livre no convés; conforme o tamanho do barco, usar duas linhas de vida, uma em cada bordo.

Loxodrômia: navegação segundo rumo constante com os meridianos (rhumb-line). Na carta de Mercator, corresponde a uma reta. A navegação ortodrômica é aquela efetuada segundo arco de grande círculo e aparecerá na carta de Mercator como uma curva, de comprimento menor que a rhumb-line (reta) correspondente. Ver Rhumb-line. Ver ortodrômia.

Luva: funil de tecido leve que veste o balão, permitindo que ele suba na sombra da vela grande, sendo puxado para o tope quando tudo pronto, livrando a vela ao vento. Para baixar o balão, a luva é descida, abafando-o.

Macaco: esticador.

Magnetômetro: instrumento destinado a medir a intensidade do campo magnético (declinação e inclinação magnéticas). Ver bússola; ver linhas isogônicas.

Manilha: peça metálica em forma de U com pino (cavirão), para emendar cabos, amarras, etc.

Marcação: ângulo de uma visada a uma marca de terra, em relação ao Norte.

Mezena: mastro mais à popa; mastro de ré.

Montar: contornar, alcançar.

Muleta: pau armado no mastro, para afastar a escota dos brandais.

Multicasco: barco com vários cascos. Catamarã, dois; trimarã, três. São barcos de grande velocidade, mas ao emborcarem, não endireitam.

Náilon (nylon): material sintético, de grande resistência, próprio para spinnakers.

Navegação Estimada: processo para calcular a posição por rumos e distâncias navegadas; é corrigida por outros processos. Ela é mantida para servir de suporte à navegação astronômica, mas é muito trabalhosa e depende das anotações dos timoneiros (que sempre esquecem pernas da velejada). Podemos determinar a posição aproximada empregando o azimute magnético do sol (transformado em verdadeiro), proando e lendo na agulha. Junto com a altura e a hora, determina-se um triângulo de posição, que fornecerá a posição estimada.

Newton ( leis ): resumidamente: para modificar um movimento deverá haver uma força interferente; força é massa vezes aceleração; a toda ação corresponde uma reação igual e contrária. Delas, concluímos que a força produzida pela vela depende apenas da massa de ar defletida por segundo e da aceleração (variação da velocidade ou da direção) fornecida à massa de ar pelas velas.

Nó: medida de velocidade (1 milha por hora); 1852 metros por hora. Lais.

Odômetro: instrumento para medir distância navegada.

Orçar: velejar contra o vento, bordejando; barlaventear.

Ortodrômia: navegação segundo arco de grande círculo. É a rota de menor distância. Navegamos numa rota ortodrômica, cujo rumo varia constantemente (na maioria das vezes), realizando singraduras loxodrômicas. Ver loxodrômia.

Palamenta: conjunto de acessórios indispensáveis, de presença obrigatória a bordo.

Palombar: costurar a tralha na orla da vela; os pontos de palombar podem ser á portuguesa (ponto pela cocha) ou à inglesa (ponto redondo). Pela cocha, a linha de palombar passa por dentro do cabo; no redondo, a linha passa em volta do cabo.

Palomar: nó muito utilizado pelos pescadores para unir a linha ao anzol, por ser fácil e seguro (a linha arrebenta; o nó resiste). Dobrar o chicote da linha, com uns dois palmos de comprimento; passar esta parte dupla no buraco do anzol e dar meio nó direito; passar o anzol pela alça e apertar: está dado o nó.

Panos: velas.

Pára - raio: instalação importante; pode se usar uma corrente galvanizada atada ao brandal de sotavento, para reforçar o terra.

Passagem Meridiana: passagem de um astro pelo meridiano do observador; pode ser superior ou inferior.

Pau: nome genérico mais usado para denominar varas que espicham velas para fora, apresentando sua maior área ao vento. Pau da buja; pau da giba; pau de atracação; pau de pica-peixe.

Pé-de-galinha: peça de metal por onde passa o eixo do motor, para apoio; logo após, está o hélice.

Perna: parte do percurso, entre dois pontos do caminho (waypoints).

Pinha: de retinida; é uma bola pequena de cabo, para permitir o arremesso para o cais ou para outra embarcação. Há vários formatos de pinha, inclusive de adorno.

Plotar: locar, marcar na carta.

Poita: bloco pesado onde fica amarrado o barco.

Pólos: Norte e Sul. São muitos os pólos: verdadeiros, magnéticos, pólos instantâneos, etc.

Pólo Elevado: pólo do hemisfério do observador; para o Brasil, o pólo elevado é o Sul; o pólo rebaixado é o Norte.

Proa: parte da frente do barco, de forma afilada; bico; nariz.

P

Prumo: profundímetro de mão.

QAM: boletim meteorológico, no código Q internacional.

Quartel: cada seção de 30 metros da amarra.

Quilha: parte mais profunda do barco.

Radiogoniômetro: instrumento que indica por meios eletromagnéticos a direção de radiofaróis.

Raio de ação: ver autonomia.

Ranhura: canal, slot, espaço entre duas velas, que deve ser ajustado para maior velocidade de escoamento do vento.

Reta de Altura: lugar geométrico dos pontos da superfície da Terra com a mesma altura para um determinado astro (é uma circunferência, da qual consideramos uma reta nas dimensões da carta).

Retinida: cabo fino auxiliar, preso a uma bóia ou a uma pinha, para facilitar o lançamento.

Retranca: verga que trabalha na parte inferior do mastro, espichando a esteira da vela grande.

Rhumb-line: linha de rumo quando navegando loxodrômicamente; na carta de Mercator ela será uma reta. Ver loxodrômia.

Rizes: cabinhos na vela para permitir diminuir sua área. Quem comanda a rizadura é a adernada.

Roach: para ser conseguido o formato das velas na fase de confecção.

Sag: para compensar a deformação da vela quando da ação do vento, introduzido na fase de confecção.

Sanefa: espécie de cortina, que vai do toldo ao convés, para proteção da tripulação.

Sapatilha: terminal de metal ou plástico na extremidade de um cabo, para evitar esgarçar.

Sarrafo: ripa

Seio: corpo do cabo; as extremidades se chamam chicotes.

Sentinela: peso colocado na amarra, entre a âncora e o barco, de modo a tornar maior o amortecimento, e o esforço mais na horizontal assegurando melhor poder de unhar.

Sextante: instrumento de medida de distâncias angulares em qualquer plano. É de grande utilidade na navegação costeira, medindo ângulos horizontais e verticais e de fundamental importância na navegação astronômica, propiciando a tão almejada autonomia em navegação. O sextante se compõe basicamente de um arco graduado em graus, dois espelhos, um visor (onde pode ser inserida uma luneta) e uma alidade giratória. Os sextantes modernos possuem tambor micrométrico (leitura de minutos) e vernier (leitura dos décimos de minuto). Alguns já vêm com computador acoplado.

Um bom sextante lerá 0.1, mas podemos empregar os que lêem 0.2.

Sheet-to-tiller: escota e elástico armados para permitir velejar livre da atenção ao leme, com o elástico acionando para um lado e a escota corrigindo para o outro. Os lemes-de-vento e pilotos automáticos o substituíram, mas é bom tê-lo a bordo, para cruzeiros curtos, quando não instalamos o leme-de-vento, principalmente em solitário, para preparar uma refeição, descansar, tomar banho no convés, etc.

Singradura: distância navegada em vinte e quatro horas.

Sirga: cabo para puxar de terra o barco ao longo de um canal, quando ele não consegue vencer a correnteza. Cabos de sirga.

Skipper: comandante; patrão do barco.

Slot: ranhura; canal aerodinâmico entre duas velas, responsável pela principal força de propulsão (sucção) na orça (região aerodinâmica da velejada).

Sombra: sombra do vento, parte protegida, onde a força do vento é menor.

Sonda: fio de prumo para medir a profundidade. Ecossonda ou ecobatímetro, quando eletrônica.

Sotavento: lado do barco por onde escapa o vento. Barlavento é o lado por onde entra o vento.

Spinnaker: balão; vela principal nos ventos favoráveis, equivalente à grande na orça. Uma empopada sem balão é como uma orça sem a vela grande: o barco fica desequilibrado. Geralmente em náilon colorido, ela apresenta um visual bem marcante.

Starfinder: identificador de estrelas; conjunto de transparências para facilitar a locação da posição dos astros por meio de suas coordenadas.

Talas: réguas que sustentam o aluamento da valuma.

Talingar: emendar os quartéis da amarra, para largar maior filame; fixar a amarra ao anete; preparar a âncora.
Tática: procedimentos para enfrentar uma situação, como o mau tempo, por exemplo, com a determinação da melhor proa, das mareações (amuras), procedimentos, etc.

Tempestades (leis):

Primeira: Os ventos girantes em torno de uma BP produzem ao longo do seu trajeto um SC Perigoso e um SC Navegável.


Segunda (para o HS): Se o vento rondar para a esquerda, estaremos no SC Perigoso. Se rondar para a direita, estaremos no SC Navegável. Se não houver rondada (ou rondar pouco), estaremos no Trajeto. Estas leis ditarão o rumo a seguir. No HS: se no SC Navegável ou no Trajeto, velejar com vento de popa, com a maior velocidade possível, com amuras a BB; se no SC Perigoso, orçar com a maior velocidade possível, com amuras a BB. Se tiver que capear, fazê-lo com o maior seguimento possível para a frente. Portanto, no HS, amuras sempre a BB (orçando, em popa ou capeando).

Teque: cadernal de um só cabo, com dois moitões duplos, sendo um fixo e outro móvel, para esforços de tesar ou carregar pesos.

Testa: parte da frente da vela.

Tiller-Pilot: piloto automático eletrônico.

Timão: barra do leme, cana do leme, roda do leme; o timoneiro age no timão para mudar de direção.

Tombadilho: parte da popa; castelo de popa.

Tope: parte superior do mastro, onde vão presos os estais.

Tornel: destorcedor.

Tosamento: curvatura do convés no plano vertical, com a proa bem mais alta que a popa; os barcos modernos apresentam o tosamento reto.

Tralha: cabo costurado na testa ou esteira da vela.

Traquete: trinquete; vela de proa, armada entre a buja e a grande; bujarrona.

Traveller ou (traveler): trilho e carrinho onde vai presa a escota da vela permitindo ajustar o ângulo de ataque sem alterar o seu formato

Través: o que está do lado.

Triângulo de Posição: triângulo cujos vértices são a posição geográfica do astro, a posição do barco e o polo elevado terrestre. Para ser resolvido, são necessários três elementos conhecidos; como no mar só podemos determinar com precisão dois elementos ( altura, medida com o sextante, e a hora da observação), emprega-se o artifício da reta de altura (o de Marcq Saint-Hilaire, normalmente).

Trim: ângulo de ataque da vela. Todo barco deve ter um trimmer - timoneiro que sabe ajustar o trim das velas. Depois de ajustado o formato da vela, acionamos o traveler, para apresentá-la ao vento segundo um angulo apropriado e crítico. Entre o panejamento e o estol existe uma margem de 2 ou 3 graus, o que fornece uma visão da sua importância. As velas de proa também possuem travelers, para ser obtido melhor rendimento. Como a vela de proa opera em ar livre da interferência da grande (inicialmente), ela deve ser trimada primeiro.

Turco: pequeno guindaste giratório para içar escaleres e caíques.

Twist: torção da vela; é visto pelo ângulo do topo com a esteira; é função do gradiente de vento.

Upgrade: aperfeiçoamento ou atualização de um programa de computador ou de uma peça de hardware.

Valuma: aresta traseira de uma vela, considerando-a içada.

Velame: conjunto de velas do barco; adaina.

Velas: propulsão normal de um veleiro; geralmente feitas de Dacron ou náilon. O conjunto de velas de um barco é denominado adaina ou vestuário.

Verdugo: proteção afixada no costado do barco, geralmente de madeira.

Vergas: ou paus, para espichar as velas .

Working jib: buja de serviço, buja de trabalho; pequena buja

Yawl: veleiro com dois mastros, sendo o de ré situado à ré do eixo do leme.


 
 
 
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