Jangadeiros
Jangadeiros

Os jangadeiros realizaram uma serie de viagens ao Sul do país, principalmente para protestar contra o esquecimento da profissão pelas autoridades responsáveis. Os pescadores artesenais do nordeste não tinham sido incluídos nas leis trabalhistas criadas pelo Presidente Getúlio Vargas. O jangadeiro chegava à velhice, depois de uma vida dedicada à pesca, e não tinha direito à aposentadoria, enquanto qualquer outra atividade por mais irrelevante, oferecia um pequeno salário para a sobrevivência.

Em 1922: duas jangadas zarpam de Fortaleza, CE, para o Rio de Janeiro, para desfilar no 7 de Setembro, com os seguintes jangadeiros:
1. Mestre J. Bernardino de Paula
2. Francisco Pereira da Silva
3. Francisco Silva da Costa
4. Manoel F. de Andrade
5. Francisco C. da Costa
6. Possidônio F. Barbosa
7. Luis R. da Costa
8. Antonio F. Barbosa

Em 1928, em agosto, uma jangada zarpa de Fortaleza, CE, para o Rio de Janeiro, com o mesmo objetivo de desfilar na parada de 7 de Setembro, tripulada por:
1. Mestre Bernardino Fernando do Nascimento
2. José Isidoro dos Santos

Em 1941, parte de Fortaleza, CE, para o Rio de Janeiro, com 4 jangadeiros, para chamar a atenção do governo para o abandono da profissão de jangadeiro:
1. Mestre Jerônimo André de Souza
2. Manoel Olímpio de Meira (Jacaré)
3. Raimundo Correia Lima (Tatá)
4. Manoel Pereira da Silva (Mné Preto)
Chegaram ao Rio de Janeiro após 61 dias de viagem, no dia 15 de Novembro e são recebidos pelo Presidente Getúlio Vargas, a quem expõem as condições de abandono da profissão de jangadeiros-pescadores.
Orson Welles produziu um filme da história dessa viagem. Durante as filmagens, o jangadeiro Jacaré morreu no mar da Avenida Niemeyer, ao lado da Gruta da Imprensa. Seu corpo nunca foi achado.

Em 14 de outubro de 1951, Mestre Jerônimo parte de Fortaleza, CE, novamente numa jangada para Porto Alegre, RS, com:
1. Tatá
2. João Batista
3. Manoel Frade

Chegam a Porto Alegre em 18/fev/52..

Em 15/nov/1958 é iniciada a mais longo percurso de jangada, de Fortaleza, CE, a Buenos Aires, Argentina, realizada em 200 dias.
Apenas a balsa Kon-Tiki de Thor Heyedahl, em 1947, perfez o trajeto de Callao, Peru, ao Tahiti, Polinésia, em 101 dias, 7 mil quilômetros, distância um pouco maior do que a realizada pelos jangadeiros, de Fortaleza a Buenos Aires. Mas a Kon-Tiki era uma grande balsa, não podendo ser comparada à jangada nordestina. Tinha fogão, cama, coberta, muito bem equipada e provisionada, um verdadeiro passeio. E era monitorada à distância por um navio especialmente fretado para isso. Muito diferente, portanto.
Enquanto noruegueses da Kon-Tiki eram condecorados pelo governo norueguês e premiados pela comunidade científica internacional, os humildes jangadeiros brasileiros foram esquecidos vergonhasamente no Brasil varonil.
Mestre Jerônimo desapareceu no mar.

Em 8 de dezembro de 1967 parte uma jangada de Fortaleza, CE, com destino a Santos, SP. Mestre Garoupa, Zé Lima, João Rodrigues da Costa, Manoel Bezerra de Lima, Manoel Antonio de Lima. Chegam a Santos em 21 de fevereiro do ano seguinte. Foram 71 dias de velejada.

Em 24 de dezembro de 1968 parte uma jangada de Maceió, AL, com destino ao Rio de Janeiro. Mestre João Batista Leitão, Nino, Helio Marcolino e o estudante alagoano Pedro Ernesto, que patrocinou a viagem. Foram 21 dias de velejada, com paradas em Salvador e Vitória, ES.

Em julho de 1972, mais uma jangada zarpa do Ceará para Ilabela, SP. Ao chegarem no Rio de Janeiro, os jangadeiros foram levados com jangada e tudo, sobre carreta, até Brasília, onde são recebidos pelo Presidente Médice. Esta foi a única que resultou em benefícios reais para os pescadores: foram incluídos no sistema de aposentadoria. Retornaram ao Rio de Janeiro e continuaram o percurso pelo mar até Ilhabela, como planejado.

Em abril de 1993 zarpa uma jangada de Fortaleza com destino ao Rio de Janeiro: Mestre Mamede Dantas Lima, Francisco Abílio, Francisco Valente e Edílson.

Hoje, pouco existe da profissão no Nordeste. As jangadas já são construídas de tábuas e o maior objetivo é o turismo. Mas o exemplo ficou na memória do povo da região.

 
 
 
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