O BARCO IDEAL
O Barco Ideal
Antes de tudo, ele deve ter qualidades náuticas: conjunto de requisitos que o barco deve ter como garantia de uma navegação segura e eficiente.
Além das qualidades estruturais (solidez, flutuabilidade e estanqueidade), ele deve ter: resistência mínima à propulsão (um máximo de velocidade com a mínima utilização de energia de propulsão); facilidade de manutenção do rumo sob quaisquer condições de vento e de mar; estabilidade estática (capacidade de voltar à posição original sob o maior ângulo de inclinação possível, uma vez cessado o efeito do fator responsável pela alteração da posição); capacidade de manter movimentos oscilatórios (transversais e longitudinais) suaves sem comprometer a estabilidade.
Para um real estudo das características do barco, podemos entrar no site:
www.image-ination.com/sailcalc.html e baixar o programa para o HD (Carl´s Sail Calculator). Vamos examinar algumas de suas qualidades.
Na Part1 - Quando selecionamos o barco, os parâmetros aparecem na Part2.
Podemos optar para ver todos os barcos, ou só os de cruzeiro (cruiser), de regata (racer), racer/cruiser e cruiser/racer.
Podemos também digitar os parâmetros do `barco ideal` e comparar com qualquer outro modelo, obtendo uma tabela de comparação (make chart).
LOA=lenght overall=comprimento total, comprimento roda a roda (em pés).
LWL=lenght of water line=comprimento da linha dágua (em pés)
Beam=boca máxima (em pés)
Disp=displacement=deslocamento (em pounds).
Sail Área=área vélica (em pés quadrados).
Na Part2 - Quando clicamos nas respostas (valores calculados), são mostrados os valores limites das relações. Por exemplo, a capsized ratio (relação de emborcamento), deve ser menor que 2; quanto maior, pior será o barco.
A Part3 - Para selecionar os barcos por seus parâmetros.
A Part4 - Para determinar o `barco ideal`. Podemos escolher um barco muito confortável (60%), com uma relação Área Vélica/Deslocamento (40%); o programa determina que há três modelos preenchendo estes critérios.
E a Part5 - Para determinar a dimensão do hélice, velocidades e RPM.
Portanto, é um programa de consulta imprescindível para quem está planejando o barco.
A maioria não tem tempo disponível para grandes cruzeiros; passeios de fim de semana ou férias serão melhor realizados em barcos leves e velozes.
O barco ideal é aquele em que velejamos com total confiança e completa satisfação, como hipnotizados pela beleza de tudo que nos cerca.
Ele é denominado ideal porque terá que satisfazer a todos os requisitos importantes num barco, ou pelo menos aos principais: confiável, fácil de manobrar, de fácil manutenção, de grande autonomia (grande raio de ação) e bom para todas (ou quase todas) as condições de vento e de mar.
Para oferecer um grande raio de ação, com total autonomia, terá que ser de deslocamento médio ou pesado. Embora saibamos que o barco ideal é utópico, devemos aceitar algumas características já bem definidas, já consagradas.
No livro mais recente de Marchaj: `Seaworthiness - The Forgoten Factor` (International Marine Publishing), primeira edição em 1987, são tecidas considerações sobre barcos `modernos`, coisas muito importantes, mas que são escondidas pela maioria dos construtores de `máquinas de regata`.
Na Fastnet de 1979 morreram quinze regatistas e o veredicto sobre a maioria dos acidentes responsabilizava os fabricantes, a má qualidade marinheira dos barcos, construídos de acordo com as regras da IOR, que incentivam a construção de barcos cada vez mais perigosos:
• deslocamento leve;
• grandes bocas;
• fundo achatado;
• pequenas áreas laterais do convés;
• centro de gravidade alto;
• borda livre alta.
Todos estes fatores beneficiam a velocidade, mas reduzem drasticamente as qualidades marinheiras do barco, penalizando a segurança, principalmente.
De acordo com Marchaj, `não há um só item das regras da IOR que seja favorável à qualidade marinheira do barco`.
O inquérito sobre a Fastnet de 1979 concluiu que certas falhas de projeto contribuíram para o grande número de capotagens de 360º, mas Marchaj diz que não foi dada a devida ênfase ao fato, por motivos que são óbvios...
Mas o problema mais grave é que as fábricas vão reduzindo a espessura do casco sem acrescentar os reforços necessários, por medida de economia, resultando que hoje os barcos são verdadeiras casquinhas de ovo, velozes, mas perigosos; não agüentam mar e no mar você nunca sabe o que vai encontrar pela frente... embora a maioria das vezes seja de maré mansa...
Antes de comprar o barco, devemos conversar com o projetista.
A resina epóxi ou a poliéster reforçada com fibra de vidro, ou simplesmente, fibra de vidro, é realmente um material fantástico, sob todos os aspectos; é o melhor material que surgiu até hoje e o desenvolvimento rápido da indústria náutica se deveu à facilidade de construção dos barcos de fibra, da sua durabilidade (praticamente, de duração ilimitada), de suas qualidades mecânicas e da facilidade de manutenção. Principalmente agora, com reforços de fibra de carbono, etc.
Todos os exércitos do mundo usam capacetes de aço, que são de fibra de vidro; os famosos coletes de aço, à prova de bala, são de fibra de vidro; e assim vamos por aí afora, num sem número de aplicações: todos os barcos de outros materiais, são acabados com fibra de vidro, principalmente como proteção das obras vivas: de tanto usar a fibra, esses barcos terminarão sendo de fibra...
É claro que outros materiais irão surgindo, mas até hoje nenhum se igualou à fibra de vidro em qualidades gerais e principalmente em facilidade de manuseio.
A fibra de vidro atualmente está mais cara, ou melhor, não é o mais barato material; mas esta desvantagem inicial de construção em fibra é amplamente compensada pelo baixo custo da manutenção ao longo dos anos, décadas e mais décadas.
Bem construído, um barco de fibra é indestrutível.
O inglês classifica os velejadores em três categorias:
• o de regata (racer saylor);
• o de cruzeiro (cruizer saylor);
• o day-sailor, o que pratica o esporte, a arte de velejar, por curtos períodos, sem se afastar muito do local onde tem o barco.
E dentro de cada categoria há inúmeras e variadas modalidades, onde se encontram excelentes velejadores, que acharam as maneiras de conciliar o esporte com suas obrigações diárias, suas formas de vida; uma vasta gama de atividades.
Em conseqüência, pelo menos três principais espécies diferentes de barcos sobressaem, cada um com suas características, seus aficionados, admiradores.
Apenas os barcos de cruzeiro não são muito fáceis de achar por aqui; a maioria dos barcos de fábrica são das outras categorias, devido principalmente à maior procura.
Teremos que ter muita sorte para achar um bom barco de cruzeiro; partir, então, para a construção, após adquirir o projeto.
No multicasco, o momento máximo de endireitamento ocorre aproximadamente aos 40º de adernamento e se anula aos 90º.
Nos monocascos com quilha lastrada, o momento máximo de endireitamento ocorre aos 90º de adernamento e só se anula com o emborcamento completado (180º), que é momentâneo, endireitando-se com a própria ação do lastro e pela onda.
É claro que o objetivo de utilização do barco deve estar em mente desde o princípio: barco de regatas ou de cruzeiro? Cruzeiros prolongados ou curtos, raio de ação (autonomia), etc.
Muitos projetistas cedem os direitos dos projetos e as fábricas os modificam e, claro, sempre visando o barateamento da construção.
O Brasília 32, outro excelente projeto, foi `aperfeiçoado` sucessivamente pela fábrica ao longo dos anos e terminou com um casco transparente de tão fino...
Mas isto não acontece só por aqui; nos EUA, numa regata na baía de Cheasapeak, vários barcos novos fabricados na Inglaterra, foram a pique porque os parafusos do patilhão romperam o casco e as quilhas caíram no mar. Mas existem modelos de barcos que são construídos a mais de trinta anos, como o Catalina 27, cujas características tem atraído grande número de cruzeiristas.
No início do emprego da fibra de vidro na construção de barcos, logo após o término da Segunda Grande Guerra, os amantes da madeira procuravam desacreditar a fibra de vidro. Argumentavam que ela era como a galalite (que era um plástico fraco, quebradiço, muito usado na época); passados trinta anos, eles ainda vinham com o mesmo argumento, a despeito das provas em contrário, com a indústria maciçamente empregando a fibra de vidro pelo mundo afora, inclusive nos países onde a madeira abunda....
No final, passados mais de quarenta anos, não tendo mais argumentos para desancar a fibra de vidro, argumentavam que os barcos ficavam parecidos com geladeiras, lisos e brilhantes.
É claro que o argumento não convenceu ninguém.
Vamos dar um exemplo; suponhamos que decidimos construir um barco de 30 pés. No programa acima indicado, verificamos as características do Catalina 30 e do CAL-31. Depois, clicamos para fazer a tabela de comparação entre os dois. Depois de obtermos várias tabelas para estudo, podemos decidir finalmente qual o barco ideal.
Vamos agora compará-lo com um barco semelhante qualquer (da coluna da direita); basta iluminar your boat (seu barco) na tabela da esquerda, preencher as características na tabela logo abaixo; clicando para fazer a comparação (make chart).
Divirta-se com o programa, enquanto escolhe o seu barco ideal.

 
 
 
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